Se existe crise no mercado fonográfico, ela não atinge os lançamentos religiosos. CDs e DVDs católicos e evangélicos têm vendido muito num mercado agonizante. Os bons números de vendas se mostraram tão expressivos que algumas gravadoras entraram na disputa pelos títulos e estão colhendo os louros. Um bom exemplo é o novo CD do Padre Fábio de Mello, No meu interior tem Deus (Sony Music), lançado este mês. O disco vendeu 160 mil cópias em uma semana. O dobro do número de vendas do CD Amor de alma, da poderosa dupla Victor & Léo, que está há um mês no mercado. O padre Marcelo Rossi é outro bom exemplo: vendeu mais de 10 milhões de CDs em sua carreira.
A coleção Promessas, com 4 CDs repletos de hits da música gospel, vendeu mais de 480 mil cópias. Mais do que o último álbum de Luan Santana, por exemplo, que vendeu pouco mais de 320 mil. Promessas resultou em outro fenômeno também, o primeiro festival gospel produzido pela TV Globo, transmitido no último domingo. A superprodução reuniu Davi Sacer, Fernanda Brum, Diante do Trono, Damares, Ludmila Ferber e Regis Danese, entre outros. Da TV saiu o pequeno Jotta A, de apenas 12 anos, apontado como a nova aposta gospel para o ano que vem. O garoto foi revelado no programa do Raul Gil e será lançado em 2012 com uma tiragem de 500 mil exemplares, número similar ao de Paula Fernandes.
O sucesso de vendas pode ter relação com a mensagem “Pirataria é crime e pecado”, que está no encarte de títulos como Rastros de amor, de Asaph Borba, e Primeiro amor, de Carlinho Felix. Fernanda Brum defende a ideia. “Nosso público é muito fiel e entende que pirataria é pecado, é crime. Essa nossa pregação é muito clara”, disse Brum em entrevista.
Qualidade
Yvelise de Oliveira, presidente da MK Music, principal gravadora gospel do país, disse recentemente que a atenção de gravadoras como a Som Livre e a Sony Music ao gênero se deu principalmente pela questão da pirataria. Segundo Yvelise o mercado gospel é atingindo somente em 15% por produtos piratas, enquanto artistas seculares (não evangélicos) sofrem 60%.
“Acredito que esse crescimento se dá porque as pessoas estão reconhecendo a nossa qualidade musical e como ela faz bem para a alma e para o espírito. O mundo está sofrendo muito e a música traz restauração, paz, cura e libertação”, diz Regis Danese, ídolo gospel que já vendeu mais de 2 milhões de álbuns.
O padre Fábio de Melo também credita o crescimento nas vendas a um novo momento na sociedade. “As pessoas estão mais carentes e revendo valores. As música provoca essa reflexão. Também acho que estão valorizando mais a qualidade do trabalho. Ninguém compra para fazer caridade. Compra porque está bom e faz bem à pessoa”, pontua.
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